Parceria Internacional

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29/05/2015 às 17:08

Em abril de 2015, o Museu de Artes e Ofícios recebeu o 1º Colóquio Internacional, com o tema “O Gesto Profissional”, um projeto da Cátedra UNESCO Formação e Práticas Profissionais, articulada pelo CNAM – Conservatoire National des Arts et Métiers – de Paris. O termo “Gesto Profissional” é um dos mais importantes elementos que contribuíram para o conceito do Museu de Artes e Ofícios – MAO, cujo acervo expressa com muita riqueza o gesto do trabalhador escondido por trás de ferramentas, aventais e outros apetrechos, também presente no produto do seu trabalho. O evento integrou as ações internacionais da instituição francesa e foi apresentado pela primeira vez no Brasil pelo projeto Ampliando Horizontes, desenvolvido pelo MAO.  

 

Confira o discurso de Angela Gutierrez, presidente do Instituto Cultural Flávio Gutierrez, mantenedor do Museu de Artes e Ofícios, na abertura do Colóquio.

 

Discurso de abertura do 1º Colóquio Internacional “Gesto Profissional”, que integra a Cátedra da UNESCO: Formação e Práticas Profissionais

 

 

Prezado Secretário de Cultura de Minas Gerais, meu querido amigo Angelo Oswaldo de Araújo Santos , que daqui a pouco irá proferir a palestra de abertura do colóquio.

Prezada  Mme. Anne Jorro , diretora do Centre de Recherche et Formation – CRF      (Conservatoire National des Arts et Métiers – CNAM/Paris) 

Prezada  Mme. Claude Cohen., encarregada da condução operacional da Cátedra UNESCO.

Cumprimento também o Prof. Dr. José Geraldo Pedrosa, coordenador do Mestrado de Educação Tecnológica do CEFET-MG; e a Profª  Drª Maria da Conceição Ferreira, Coordenadora do Programa de Pós Graduação em Educação da UFMG.

Cumprimento, de maneira muito especial, o Prof. Antônio Tomasi, Sociólogo e Professor da Pós Graduação em Educação Tecnólogica do CEFET, parceiro na criação do Museu de Artes e Ofícios, companheiro e orientador do nosso trabalho.

Educadores, professores, profissionais da Cultura, do Patrimônio, equipe  do  MAO, meus fiéis companheiros de luta.  

Caros  amigos, boa noite.

É com orgulho e alegria que damos início ao 1º Colóquio Internacional “Gesto Profissional”, iniciativa que integra a Cátedra UNESCO: Formação e Práticas Profissionais, sob a direção do Conservatoire National des Arts et Métiers CNAM – Paris.

O Museu de Artes e Ofícios tem como parceiros neste evento, os Programas de Pós-Graduação em Educação do CEFET-MG e da UFMG. 

O evento é a primeira ação internacional da Cátedra da UNESCO e está sendo apresentado no Brasil pelo projeto Ampliando Horizontes, desenvolvido pelo Museu de Artes e Ofícios desde 2008, como parte de nossa ação Educativa, com o apoio da Fundação Municipal de Cultura e Hospital Materdei. A escolha de nossa instituição nos enche de orgulho, e falo aqui em nome de todos os que trabalham cotidianamente no museu, em suas diversas áreas.

Hoje e amanhã, portanto, estaremos  envolvidos na reflexão e debate em torno de questões de grande interesse ligadas ao universo do trabalho. 

O Museu de Artes e Ofícios se configura como espaço ideal para abrigar este encontro. 

Inaugurado há 10 anos,  em dezembro de 2005, o museu abriga 2.500 peças que contam a história do trabalho pré-industrial no Brasil. 

Aqui estão ferramentas, objetos, registros valiosos da história do trabalho em nosso país, resgatados do esquecimento e preservados em excelentes  condições museológicas e museográficas. 

Este é um acervo que testemunha a passagem do Brasil agrário e pouco desenvolvido para o país moderno, urbano e industrial em que nos transformamos desde o século passado.

A história desta transformação é impressionante sob diversos aspectos – e é exatamente isso o que pretendemos com o Museu de Artes e Oficios: contar a história de nosso país sob a ótica da gente trabalhadora, anônima e quase nunca reconhecida – homens e mulheres que construíram o Brasil, ao longo dos séculos.

Em cada peça deste museu, e através de sua história,  encontramos, o gesto humano e reconhecemos  a força transformadora das mãos do homem. 

Na pedra, na madeira, no couro, no ferro, no tecido, em tudo se revela o gesto humano, inquieto, criador, desafiador. 

Diante da natureza bruta e de materiais tão distintos, o homem inventou um mundo novo. E se inventou.

O acervo deste museu, por si só, conta uma história única de utilidade e valor. Cada peça tem sua missão e sua justificativa histórica. 

Nosso olhar, se destituído de pressa e preconceitos,  será capaz de perceber o quanto há de suor, esforço e talento em cada objeto. Muitas vezes, eles se apresentam moldados pelo corpo que os habitava.

Mas é em seu conjunto que a vida explode em energia, exuberância e singularidade. 

Reunidas em áreas temáticas, as peças e objetos ganham uma importância única. Provocam admiração e emoção. Geram interrogações e estimulam o mergulho ainda mais profundo no mundo do trabalho, da arte e da cultura.

Diante das obras deste museu podemos ver o que aparentemente não se vê – o gesto do homem simples e anônimo, imerso em sua realidade e em sua necessidade de sobrevivência.

O gesto humano é carregado de memória e de conhecimento, mas também de imaginação e de ousadia. É a linguagem do homem diante do mistério da própria vida.

Neste sentido, o gesto humano é igualmente um gesto Educador. Pois ele é, ao mesmo tempo, definidor de nosso papel como construtores do mundo, e forjador de uma consciência que advém de nosso domínio sobre as coisas materiais. Afinal, por que fazemos tudo isso?

No ofício do marceneiro, do ourives, do carpinteiro, do soldador ou da bordadeira, cada gesto é provido de saber e intenção, de habilidade e potência, de talento e de maestria. 

Ao mesmo tempo, cada gesto é portador do mais profundo mistério, daquela força que nos impulsiona e faz mover os nossos sonhos em todas as direções.  

Esta casa, portanto, é uma casa de humanidades, onde a história do trabalho humano, alimenta a nossa humana fome de saber.

Quero agradecer, mais uma vez, a escolha do Museu de Artes e Ofícios como instituição apta a abrigar este colóquio, iniciativa que nos coloca diante de questões da maior importância para os tempos atuais.

Este colóquio, lançado ano passado pela UNESCO, tem duração prevista de quatro anos, prorrogáveis, tendo à frente o ilustre professor Jean-Marie BARBIER. 

Minha sincera expectativa é que estejamos iniciando hoje, com este encontro, uma parceria de alto nível, duradoura e enriquecedora, capaz de  alargar ainda mais o campo do conhecimento no universo da arte e do trabalho.

A todos, desejo um ótimo Colóquio.

Muito obrigada.