Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos passará pela primeira vez por reformas

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14/01/2016 às 13:18

Mariana – Da janela de casa, na Praça do Rosário, a professora aposentada Maria Raquel Cardoso Reis pode ver, sem esforço, a fachada da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, templo erguido pela mão escrava em 1752. Tem sido assim nos últimos 50 anos, desde a adolescência, mas, agora, a paisagem colonial ganhou um tom diferente que faz os olhos da coordenadora pastoral brilharem de alegria e esperança. “Esperamos mais de duas décadas”, afirma a moradora de Mariana, na Região Central, sobre o início do restauro da construção barroca, na qual se destacam altares esculpidos pelo português Francisco Vieira Servas (1720-1811) e o forro da capela-mor de autoria de Manuel da Costa Ataíde (1762-1830), o Mestre Ataíde.

Quem entra na igreja, distante cinco minutos do Centro, encontra operários montando andaimes para a intervenção – a primeira, no município, do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas. De acordo com informações da Prefeitura de Mariana, contratadora dos serviços a partir do repasse de R$ 1,6 milhão (para os elementos artísticos) do governo federal, via Ministério da Cultura e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a obra deverá durar 18 meses, contando ainda com a implantação no local do Museu Vieira Servas.

A deterioração ao longo do tempo se tornou a principal responsável pelo retrato atual da igreja. O chefe do escritório do Iphan em Mariana, arquiteto e engenheiro Felipe Pires, relaciona os piores problemas, entre eles a infestação de cupins e outros insetos xilófagos, madeira envelhecida, perda de pintura, infiltração devido à água de chuvas e até ação humana. Pires acrescenta que o projeto tem três partes interligadas: restauração dos bens artísticos, o que significa todo o conteúdo interno do templo – o serviço estará a cargo do Instituto Cultural Flávio Gutierrez (ICFG); o restauro do prédio, cujo projeto se encontra em análise pelo Iphan, em Brasília (DF); e o projeto luminotécnico, com elaborada técnica de iluminação, também a ser conduzido pelo ICFG. Pires diz que o prédio não oferece riscos e que a intervenção da estrutura deverá começar ainda este ano.

O arcebispo da Arquidiocese de Mariana, dom Geraldo Lyrio Rocha, ressalta a importância da iniciativa. “Aguardamos muito essa restauração e agora os fiéis poderão esperar ansiosamente o término das intervenções”, disse dom Geraldo.

Entusiasmada com o restauro, a presidente do ICFG, Angela Gutierrez, enaltece a excelência dos elementos artísticos da igreja, em especial do legado de Servas, o qual considera “majestoso”, e a implantação do futuro museu com a obra do artista. “É um restauro que demanda mão de obra muito especializada. Vamos ter a presença de jovens formados no programa Valor Social, no Museu de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte”, adianta. Profissionais e aprendizes de Mariana também estão devidamente recrutados para participar do projeto.

A matéria do Jornal O Estado de Minas 12/01/2016 – completa pode ser lida em:
http://goo.gl/sVv2hX