terça-feira, 26 d agosto d 2014 - Aberto de 12H00 às 21H00
19H30 - 21H00

João Carrascoza lança o romance Caderno de um ausente

0 Comentários

26/08/2014 às 19H30

Experiente contista, João Anzanello Carrascoza lança, na 67ª edição do Ofício da Palavra, seu segundo romance, Caderno de um ausente. Com um texto sensível e poético, a obra traz as anotações de um homem cinqüentenário à sua filha recém-nascida. Receoso de não estar presente em sua maturidade, o narrador transmite suas impressões íntimas sobre a vida e o mundo como uma forma de educação sentimental. O encontro tem a mediação do curador do projeto, o jornalista José Eduardo Gonçalves.

 O Ofício da Palavra com João Anzanello Carrascoza é no dia 26 de agosto, terça-feira, às 19h30, no Museu de Artes e Ofícios. A entrada é franca.

 

Recém indicado por seu romance anterior, Aos 7 e aos 40,  ao Prêmio São Paulo de Literatura como melhor livro de autor estreante acima de 40 anos, João Anzanello Carrascoza coloca-se, com Caderno de um ausente, de maneira definitiva como um escritor da inovação da escrita brasileira. Neste segundo romance, a estrutura formal continua a ser a principal pesquisa literária do autor.

O narrador desta história, um homem de cinquenta e tantos anos, escreve em um caderno anotações de vida para sua filha recém-nascida, Beatriz. Temeroso de que não acompanhará a maturidade da filha, uma vez que a diferença de idade é muito grande, o homem se põe a narrar a história da família entremeando por impressões filosóficas e poéticas sobre a trajetória de uma vida.

A intenção do pai, porém, não é mostrar uma verdade, mas sim a delicadeza: “e eu só sei, Bia, que, em breve, não estaremos mais aqui, e, enquanto estivermos, eu quero, humildemente, te ensinar umas artes que aprendi, colher a miudeza de cada instante, como se colhe o arroz nos campos, cozinhá-la em fogo brando, e, depois, fazer com ela um banquete”.

Mas mesmo essas palavras, que compõem pequenos trechos escritos ao longo do primeiro ano de vida da criança, não são suficientes para satisfazer o pai: “eu ia te contar o segredo do universo como quem sussurra uma canção de ninar, mas eu não posso, filha, eu só posso te garantir, agora que chegastes, a certeza da despedida”.

No texto deste “caderno”, o leitor pode acompanhar também a inquietação do pai, ao longo de um ano, pela saúde da mãe de Bia, que vive doente e requer cuidados tanto quanto a criança.