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| Realizando sonhos | | | O Valor Social - Curso de Qualificação de Jovens em Conservação, realizado pelo Instituto Cultural Flávio Gutierrez -ICFG, chega à sua quarta edição, consolidando uma história que já pode ser considerada de grande sucesso. Neste ano, mais 30 jovens em situação de vulnerabilidade social vão se tornar aptos a atuar como assistentes de restauração. A abertura do curso acontece nesta sexta feira, 25 de fevereiro, às 17h, no setor educativo do Museu de Artes e Ofícios - MAO, com uma palestra do coordenador de Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, Dr. Marcos Paulo de Souza Miranda.
O principal objetivo do Valor Social é oferecer a jovens de baixa renda uma opção de formação profissional e, ao mesmo tempo, suprir o mercado de trabalho de mão de obra especializada para a qual existe grande demanda em Minas Gerais, estado guardião de um dos mais importantes e valiosos patrimônios culturais do país. Dos 90 alunos já formados 70% estão empregados. Para Angela Gutierrez, idealizadora do projeto e presidente do ICFG, o Valor Social, "além de revelar grandes talentos, tem o mérito de abrir para os alunos um amplo arco de perspectivas profissionais que vão da prestação de serviços especializados até o estímulo para o ingresso na universidade." Em 2011 o Valor Social tem o patrocínio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN e conta com a parceria estratégica da Fundação Dom Cabral , o apoio das Prefeituras de Belo Horizonte e de Nova Lima e o Diário do Comércio, através da Campanha " Um dia Mais feliz".
As aulas do curso acontecem no Laboratório de Conservação do Museu de Artes e Ofícios, na região central de Belo Horizonte. Para viabilizar a participação dos jovens e criar condições para sua permanência no projeto é oferecida bolsa auxílio mensal, no valor de 150 reais, além de uniforme, transporte e lanche no período das aulas. Graças à formação multidisciplinar o Valor Social oferece perspectivas profissionais bastante amplas, que vão além da área de restauração. Durante seis meses, em 420 horas de aula, os estudantes participam de aulas teóricas e técnicas de disciplinas como Biologia, Matemática, Química, Ética, Português, Inglês, História, Fotografia, Cinema, Artes Plásticas, Modelagem, Tratamentos variados, Colagem e Reboco. Atividades externas, como visitas a cidades históricas também fazem parte do programa. Na edição de 2011 haverá destaque para o processo de restauração do papel em resposta a uma demanda percebida no mercado de conservação.
As histórias de sucesso multiplicam-se a cada ano. Tadeu Henrique Elias, 20 anos, participante da primeira turma do Valor Social, logo após a formatura começou a trabalhar como assistente de restauração numa empresa especializada, colocando em prática tudo que foi aprendido ao longo dos seis meses. "Foi o melhor curso que já fiz. Tudo foi maravilhoso, desde as novas técnicas até o relacionamento com os professores e funcionários", conta o jovem que atualmente está trabalhando na restauração da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Conselheiro Lafaiete. "Sei da importância do meu trabalho e quero devolver a Igreja linda para a cidade", completa.
Thiago Daniel Melo Guimarães, 19 anos, outro aluno da primeira turma do Valor Social, hoje é aluno do CEFET-MG. O jovem passou em 3º lugar no curso de Técnico em Meio Ambiente. Igualmente de origem simples, Thiago descobriu nas aulas de química, biologia, fotografia e gestão o interesse pelas questões ambientais. O garoto está cheio de planos e sonha em breve cursar Biologia na UFMG. "Aprendi no Valor Social a importância da preservação e restauração do patrimônio e por isso quero cuidar do meio ambiente", completa.
Já para Kelvin Mckolen Martins o Valor Social revelou o universo da Museologia. De origem humilde, sempre estudou em escolas públicas e nunca pensou que poderia fazer um curso superior. Hoje tem um grande motivo para comemorar: foi aprovado no vestibular de Museologia da UFMG. Tudo começou quando ingressou em 2008 na primeira turma do Valor Social. Lá descobriu o gosto por restauração, por arte, cultura e história. "Este curso mudou a minha vida", ele conta. O menino de 19 anos, que se destacou pelo interesse e desejo de crescer, hoje trabalha como monitor no Trilhos e Trilhas, programa educativo do Museu.
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